O departamento de Escola Dominical
da IEADJO liderada pelo Pr. Josias Rosa realizou no dia 01 de Dezembro a Convivência de Final de Ano da Escola Bíblica Dominical com a participação da diretoria, coordenadores
Setoriais e familiares. O evento aconteceu no Recanto Vale das Nascentes
localizado na estrada Quiriri no distrito de Pirabeiraba em Joinville, num clima de muita harmonia paz e alegria. Agradecemos a
participação de todos desejando um Feliz Natal.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
LIDANDO DE FORMA CORRETA COM O DINHEIRO
Leitura
Bíblica: Pv. 3.9,10; 22.3; 24.30-34
INTRODUÇÃO
O livro de Provérbios apresenta vários conselhos a
respeito do uso apropriado do dinheiro. Tais orientações são bastante práticas,
e úteis para os cristãos dos dias modernos. Na lição de hoje trataremos
justamente a respeito desse assunto tão controvertido, e pouco discutido nas
igrejas, e quando é feito, nem sempre se considera a totalidade das Escrituras.
Por isso, nesta aula, além de abordar a questão do dinheiro em Provérbios, nos
voltaremos para algumas orientações práticas, com base no Novo Testamento, em
relação às finanças.
1. O DINHEIRO EM PROVÉRBIOS
Por se tratar de um livro de conselhos, Provérbios
orienta seus leitores a fim de saberem lidar com situações práticas da vida.
Conforme estudamos anteriormente, o autor de Provérbios destaca a importância
de apresentar a Deus nossas primícias (Pv. 3.9). A recompensa de Deus, para os
israelitas, estava condicionada a atitude de entregar a Ele os primeiros
resultados da colheita (Pv. 3.10; 13.21). Como livro de sapiência, a sabedoria,
e não o dinheiro, é muito mais importante, pois é a sabedoria que faz a riqueza
durar (Pv. 8.18,21), o seu resultado é consideravelmente melhor (Pv. 8.20),
somente a partir dela as pessoas poderão usá-lo adequadamente (Pv. 17.16),
inclusive para não afadigar buscando riquezas (Pv. 23.4). Não apenas a
sabedoria é mais importante que o dinheiro, também uma vida de retidão,
atitudes de retidão. As pessoas justas vivem com maior tranquilidade que as
desonestas (Pv. 15.16), por isso um homem pobre que não se envolve em negócios
escusos é preferível ao rico que vive sem honestidade (Pv. 28.6). Deus
geralmente recompensa os justos com dinheiro (Pv. 13.21), mas é melhor ter
menos dinheiro e viver em retidão do que ter muito dinheiro resultante de
injustiça (Pv. 16.18). Por conseguinte, temer a Deus é bem melhor do que ter
dinheiro (Pv. 15.16), na verdade, a humildade, e o temor a Deus, leva o homem a
adquirir riquezas (Pv. 22.4). Como já destacamos em outras lições, a diligência
é uma característica fundamental para aqueles que querem ter êxito em suas
vidas. Os que não se deixam conduzir pela indolência colherão os frutos da
prosperidade (Pv. 10.4). A obtenção de dinheiro está atrelada ao trabalho, é
através dele que as pessoas adquirem riquezas (Pv. 14.23). A diligência é concretizada
em planejamento, não apenas em ações espontaneistas, que leva à ruina (Pv.
21.5). As pessoas que não conseguem controlar seus hábitos consumistas acabarão
sem nada (Pv. 21.17).
2. PROVÉRBIOS E O USO DO DINHEIRO
O sábio destaca, a princípio, as limitações do
dinheiro, definitivamente ele não pode comprar tudo, não pode livrar as pessoas
da condenação (Pv. 11.4), não dura para sempre, tem um caráter efêmero (Pv.
23.5; 27.4), sequer é digno de confiança (Pv. 11.28), por isso devemos
depositar nossa esperança em Deus (Pv. 28.25). Mas o dinheiro não
necessariamente é algo ruim, na verdade, pode ser utilizado para fazer o bem.
Quando corretamente utilizado, pode diminuir os estresses e evitar alguns
problemas (Pv. 10.15). Ademais, os filhos, se forem sábios, poderão desfrutar
da herança deixada pelos pais (Pv. 13.22), a esposa também exerce papel
fundamental no bom uso dos recursos (Pv. 31.18). Mas é preciso ter cuidado,
pois o dinheiro pode ser extremamente danoso para as pessoas, principalmente no
que tange aos relacionamentos. Isso porque, infelizmente, existem favoritismos
por causa do dinheiro, os ricos acabem sendo bem tratados, enquanto que os
pobres são menosprezados (Pv. 14.20). As pessoas que têm dinheiro não conseguem
identificar com facilidade quem são seus reais amigos, pois muitos se aproximam
por interesse (Pv. 19.4). Aqueles que não têm dinheiro são abandonados
justamente porque as pessoas se voltam para as que têm mais dinheiro (Pv.
19.4). Os que têm muito dinheiro não conseguem encontrar descanso, costumam
viver no isolamento, pois comumente são perseguidos por ladrões ou
sequestradores (Pv. 13.8). Aqueles que têm recursos financeiros são pessoas
fúteis, não conseguem se interessar por conhecimentos valiosos. Os pobres com
entendimento percebem a mediocridade dessas pessoas (Pv. 28.11). Além disso,
não podemos deixar de destacar que muitas pessoas na verdade não têm dinheiro,
apenas vivem uma mentira, como se tivessem, para agradar a sociedade (Pv.
13.7). Ao invés de querer dominar os mais pobres, e se assenhorarem sobre eles
(Pv. 22.7), os ricos deveriam reconhecer que foi Deus quem criou tanto um
quanto ao outro (Pv. 22.2). Ao invés de serem vaidosos, por causa do dinheiro,
os ricos precisam pôr em prática a generosidade (Pv. 11.24,25). Deus é
testemunha daqueles que oprimem os mais pobres, e querem tirar vantagem das
suas necessidades, tais pessoas cairão em ruína (Pv. 22.16).
3. VISÃO CRISTÃ SOBRE O DINHEIRO
A abordagem de Jesus em relação ao dinheiro é
radical, Ele se posiciona contra o acúmulo de riquezas na terra, orienta as
pessoas a entesourarem no céu (Mt. 6.19-21). Essa é a resposta de Jesus a
ansiedade que assola a sociedade moderna. Ao invés de estarem preocupados com
muitas coisas, ansiosos pelas vicissitudes da vida, devemos aprender a confiar
em Deus, na Sua providência (Mt. 6.24,25). Por isso, quando se encontrou com o
jovem rico, orientou para que esse entregasse seus bens materiais aos pobres,
mas ele foi incapaz de fazê-lo (Mt. 19.16-22). A conclusão de Jesus, em virtude
do apego daquele jovem às riquezas foi a seguinte: “Em verdade vos digo que um
rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil
passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de
Deus” (Mt. 19.23,24). Ao invés de enfocar demasiadamente as riquezas, Jesus
ensina que devemos buscar, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça e
que as demais coisas – apresentadas no contexto, e não todas como dizem alguns
– os serão acrescentadas (Mt. 6.33). Em suas epístolas, Paulo orienta os
primeiros crentes em relação ao uso do dinheiro. Ao escrever aos Coríntios nos
apresenta o modelo de Jesus em relação à riqueza e a pobreza. Diz ele: “pois
conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre
por amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornásseis ricos” (II Co. 8.9).
A riqueza a respeito da qual trata o Apóstolo, nesse texto, não é material,
tendo em vista que, ao escrever a Timóteo, alerta a respeito do perigo das
riquezas (I Tm. 6.9,10). A orientação apostólica é a de que há maior
felicidade em dar do que em receber (At. 20.35), por isso, Deus ama a quem dar
com alegria (II Co. 9.7). A moeda mais valiosa para o cristão é o exercício da
piedade, que a fonte de lucro (I Tm. 4.8).
CONCLUSÃO
A partir do Livro de Provérbios, e do Novo
Testamento, destacamos algumas orientações práticas quanto ao uso do dinheiro:
1) não devemos confiar nas riquezas, mas em Deus, que é nosso Provedor (Mt.
6.24); 2) diante de uma sociedade consumista, devemos pedir sabedoria a Deus,
para saber usar corretamente o dinheiro (Tg. 1.5); 3) a honestidade é uma
prática cristã, não apenas diante de Deus, mas também dos homens (II Co. 8.21);
4) não devemos esquecer que um dia prestaremos contas a Deus, inclusive do modo
como gastamos nosso dinheiro (Rm. 14.10; 5) sejamos cuidadosos em relação ao
dinheiro, aprendamos a exercitar a piedade com contentamento (I Tm. 6.6-10); 6)
a utilizar os recursos em coisas benéficas, principalmente para a obra do
Senhor (Fp. 4.14); 7) em uma sociedade individualista, sejamos generosos,
atentos às necessidades dos outros (II Co. 9,6,7); 8) o dinheiro do cristão
deve ser ganho com honestidade, no temor do Senhor, e gasto com sabedoria (At.
24.16; II Ts. 3.7-9); 9) é preciso ter cuidado para não se deixar dominar pela
ganância, e pelo consumismo (Ef. 5.3); e 10) o segredo é aprender a viver em
contentamento, para não contrair dívidas desnecessárias, que comprometerão a
renda familiar (Hb. 13.5).
ELABORADO POR: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
KIDNER, D. Provérbios: introdução e
comentário. São Paulo: Vida Nova, 1980.
ORTLUND JR.
R. C. Proverbs: wisdom that works. Illinois: Crossway, 2012.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
O VALOR DOS BONS CONSELHOS
Texto Áureo: Pv. 1.7
Leitura
Bíblica: Pv. 1.1-6
Ao longo deste trimestre estudaremos os livros
sapienciais de Provérbios e Eclesiastes. Esses dois textos bíblicos tratam a
respeito da sabedoria, não a dos homens, mas a de Deus. Na lição de hoje
faremos uma apresentação panorâmica desses livros, destacando sua importância
não apenas no cenário judaico, mas principalmente no cristão. A leitura
centralizada no evangelho dessas orientações fará com que homens e mulheres
sejam sábios, sobretudo tementes a Deus.
1. A SABEDORIA DOS HOMENS E A
SABEDORIA DE DEUS
O conhecimento e a sabedoria sempre cativaram os
seres humanos, a investigação a respeito das coisas é justamente a origem da
filosofia. Esse ramo do conhecimento humano trata da possibilidade do
conhecimento, e também do próprio conhecimento da realidade. O termo filosofia
vem da junção de duas palavras grega, filo (amigo) e sofia (sabedoria). Os
filósofos, por conseguinte, são amantes da sabedoria. Os gregos se destacaram
por serem versados na filosofia, entre eles estiveram grandes filósofos, tais
como Platão e Aristóteles. O conhecimento filosófico, nos dias atuais, está
desassociado da revelação bíblica. Antigamente, nos tempos de Agostinho, havia
uma relação profícua entre filosofia e teologia. Mas com o advento do
Iluminismo, a Era da Razão, o pensamento humano se desvinculou da revelação.
Essa é a principal diferença entre Filosofia e Teologia Crista, enquanto que a
primeira se baseia na mera razão, a última está alicerçada na revelação. Na
Bíblia a palavra sabedoria também tem um significado primordial, tanto no
Antigo quanto no Novo Testamento. A palavra hebraica hokmah diz respeito ao
conhecimento intelectual, e tem a ver, por exemplo, com a compreensão (Pv.
10.23). A fonte da sabedoria, nos livros sapienciais, é o próprio Deus (Jó
28.20-23). O salmista, bem como os autores dos Provérbios, assume que o temor
ao Senhor é o princípio da sabedoria (Sl. 111.10). Esse tipo de sabedoria, na
perspectiva judaica, precisa ser diferenciado do simples conhecimento. Isso
porque a sabedoria é uma aplicação prática, daqueles que atentam para os
conselhos de Deus (Pv. 13.10). O capítulo 8 de Provérbios é um arauto à
sabedoria divina, pois antes mesmo da criação, a sabedoria já se encontrava com
Deus (Pv. 8.22-31). No Novo Testamento, o termo grego para sabedoria é sophia,
que também denota a capacidade para a compreensão (At. 6.3), mas diferentemente
da sabedoria dos homens, que é falsa (Cl. 2.23), a de Deus é dada pelo Espírito
(I Co. 2.5-16). A sabedoria de Deus é o próprio Jesus, nEle repousa a plenitude
da revelação de Deus, a mensagem da cruz é loucura para os homens. Mas Deus
destrói a sabedoria dos sábios, no Cristo Crucificado se encontra a ápice da
mensagem divina (I Co. 1.17-19; 2.1-2; ; Hb. 1.1-3).
2. O LIVRO DE PROVÉRBIOS: O PRINCÍPIO
DA SABEDORIA
O livro de Provérbios mostra que a sabedoria
voltada para Deus é condição fundamental para viver. O livro, em linhas gerais,
pode ser assim dividido: o valor da sabedoria (Pv. 1.1-1.7), conselhos de um
pai sobre a vida (Pv. 1-9), os princípios de sabedoria para a vida piedosa (Pv.
10-24), os princípios de sabedoria para relações saudáveis (Pv. 25-29), a
humildade, a vida justa, o aprendizado com a sabedoria (Pv. 30), e a descrição
da mulher virtuosa (Pv. 31). O livro de Provérbios foi compilado por volta de 950
d. C. O tema central do livro são as escolhas que as pessoas fazem na vida,
para alguns ter uma vida boa é desfrutar de prazer, para outros, é servir e
temer a Deus. O autor, Salomão, filho de Davi, destaca seu propósito em Pv.
1.2-6, destacando a importância de buscar a sabedoria, para viver bem. Certo
pensador bem destacou que ler provérbios é fácil, toma apenas alguns segundos,
memoriza-los também, em minutos, mas vive-los leva a vida toda. O
versículo-chave de Provérbios se encontra em Pv. 1.7, no qual nos deparamos com
a máxima: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. A expressão “o temor
do Senhor”, nos livros de sabedoria, significa que devemos amar a Ele, não ter
medo. João, em sua Epístola, já destacou que o perfeito amor retira todo medo, no
amor não há terror, antes obediência (I Jo. 4.18). O capítulo 3 de Provérbios
destaca os conselhos de um pai para seu filho, ele alerta quanto aos perigos da
vida, especialmente sobre a sexualidade. O principal conselho se encontra em
Pv. 3.5,6, a fim de que o filho confie no Senhor de todo coração, e que não se
fundamente no seu próprio entendimento. No capítulo 8, dois caminhos da vida
são personificados, um através da sabedoria, o outro pela tolice. No capítulo
10 Salomão trata a respeito de vários aspectos da vida, e dá conselhos
diversos, principalmente para os momentos de tomada de decisão. O livro de
Provérbios ressalta a limitação do conhecimento humano (Pv. 14.12). O sucesso,
nesse texto sapiencial, nada tem a ver com os cursos de motivação oferecidos no
mercado. Ter êxito, para o homem e a mulher piedosa, significa confiar em Deus
(Pv. 16.20-22). Ao longo do livro há conselhos diversos, a respeito do controle
das emoções (Pv. 16.32). Tal como em Gl. 5.22, a maturidade é resultante do
equilíbrio, da observância de algumas virtudes, produzida no relacionamento com
Deus. O domínio da língua é importante nos conselhos de Provérbios, pois mesmo
o tolo passa por sábio ao ficar calado (Pv. 17.28). O relacionamento amoroso
também tem seu lugar nesse livro, aqueles que encontram um cônjuge, recebem o
favor de Deus (Pv. 18.22). A natureza da vida humana também é discutida em
Provérbios (Pv. 20.27). A relevância da orientação aos filhos, ensinando-os no
caminho justo, é um procedimento sábio (Pv. 22.6). O capítulo 25 inicia uma
segunda coleção de Provérbios de Salomão, a respeito de assuntos diversos. Em
Pv. 28.27 aprendemos que nenhum homem é uma ilha, que todos estamos
interligados. Por isso, devemos nos preocupar com aqueles que se encontram em
condição de necessidade. Os capítulos 30 e 31 tratam a respeito da busca pela
satisfação e da mulher virtuosa. Esse é um livro que deve ser lido e relido, a
fim de crescermos em sabedoria, e para aplicar seus princípios, avaliados
sempre à luz do evangelho.
3. O LIVRO DE ECLESIASTES: SABEDORIA
COMO OBEDIÊNCIA
O Livro de Eclesiastes se destaca por ser o único
livro das Escrituras que reflete um ponto de vista humano, não divino da
existência. Isso não quer dizer que não seja inspirado, o Espírito soprou sobre
o autor, para revelar posicionamentos humanos (II Tm. 3.16,17). Por isso
precisa ser lido com base na revelação de Deus, não como um texto dogmático.
Existem críticos das Escrituras que utilizam as passagens desse livro para
distorcer a Palavra de Deus. Não podemos esquecer que cada aspecto da vida, no
livro de Eclesiastes, é analisado “debaixo do sol”. A visão humana da realidade
é limitada, se encontra em uma perspectiva horizontal, inclusive da revelação
divina. Eclesiastes, como o próprio título o expressa, é o livro do homem da
assembleia, o Qoelet em hebraico. Esse é Salomão, o filho de Davi, rei de
Jerusalém, um homem sábio, que investiga o sentido da vida. O livro pode ser
assim dividido: 1) declaração da inutilidade de tudo (Ec. 1.1-11); 2)
investigações e demonstração da inutilidade da vida longe de Deus (Ec.
1.12-6.12); e 3) conclusão e conselho a “temer o Senhor” (Ec. 7-12). O
versículo-chave de Eclesiastes se encontra em Ec. 1.2, em que está escrito que
“tudo é vaidade”. A palavra “vaidade”, nesse livro, diz respeito à “vanidade”,
isto é, a ausência de sentido em tudo que se faz. O universo, como também é
percebido atualmente pela ciência, é visto como uma engrenagem (Ec. 1.6,7).
Essa visão científica pode reduzir a natureza a um mero maquinário, a ideia de
um motor, como concebido por Aristóteles. A consequência é uma percepção da
vida como conjunto de células, e do universo como um engenho, sem a intervenção
divina. Como a vida é desprovida de significado nesse contexto, o autor do
Eclesiastes pensa que o prazer pode ser a única coisa que faz sentido (Ec.
2.1). Ou, quem sabe, as posses, as riquezas materiais, algo que tem sido
amplamente aceito na sociedade moderna (Ec. 2.9,10). Até mesmo o conhecimento
não passa de vaidade, pois ao final, os diplomas ficarão na parede, a única
coisa que permanece é a sabedoria (Ec. 2.13-17). No capítulo 3, a semelhança
dos filósofos modernos, tais como Neitzche, Heidegger e Sartre, o pensador
existencialista adere ao fatalismo. O vazio o levou à conclusão que somente pode
viver no tempo, para o qual tudo tem um propósito (Ec. 3.1-4,11). Nos capítulos
4 e 5 o pensador lamenta a opressão que visualiza no mundo dos negócios, e que
até mesmo a religião não faz sentido. Nos capítulos 6 e 7 o homem da assembleia
constata que o rico não encontra satisfação no que tem, e que a felicidade e a
tristeza são as mesmas coisas, que o rico e o pobre perecem de igual modo (Ec.
7.15). No restante do livro, dos capítulos 8 a 10, Salomão avalia que apesar
dos nossos esforços, a vida é extremamente injusta, e desprovida de
significado.
CONCLUSÃO
O final do livro de Eclesiastes ecoa com o tema do
livro de Provérbios, a máxima que somente o temor do Senhor é verdadeira
sabedoria. Ao avaliar todas as coisas “debaixo do sol”, o homem da assembleia
conclui que precisamos “lembrar do Criador” e que temê-LO é o dever de todo
homem (Ec. 12.13,17). O sentido da vida, nos livros de Sabedoria, está
justamente em temer, e amar o Senhor, em obediência, fora a isso, a vida é pura
vaidade, é “correr atrás do vento”.
ELABORADO POR Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
ATKINSON, D. The
message of Proverbs. Leicester: Inter-Varsity Press, 1996.
DEREK, K. A mensagem de
Eclesiastes. São Paulo: ABU Editora, 1989.
sábado, 28 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
A ALEGRIA DO SALVO EM CRISTO
Texto Áureo: Fp. 4.4
Leitura Bíblica:
Fp. 4.1-7
INTRODUÇÃO
Na aula de hoje daremos continuação às
recomendações práticas do Apóstolo aos crentes de Filipos. A princípio, Paulo,
o exemplo a ser imitado, motiva os crentes filipenses a se firmarem na fé. Em
seguida, mostra-lhes a importância da alegria divina, que não depende das
circunstâncias, mas é produzida pelo Espírito. Posteriormente, apresenta um
antídoto contra a ansiedade, cujo fundamento é a paz de Deus, que excede todo
entendimento.
1. EXORTAÇÃO À FIRMEZA NA FÉ
Paulo identifica os irmãos da igreja de Filipos
como sua “alegria e coroa” (Fp. 4.1). Em grego há duas palavras para coroa:
diadema, que diz respeito a uma coroa real, e stefanos, à coroa usada pelos
vencedores de atletismo. O termo usado pelo Apóstolo é stefanos, aludindo,
assim, à conquista em uma competição olímpica. Ele sabia que, ao chegar ao céu,
receberia um prêmio pelo seu labor pastoral. Os falsos mestres, ao contrário,
buscavam prêmios terrenais, a vanglória humana. Mas Paulo busca uma premiação
celestial, o reconhecimento do Senhor pelo seu trabalho. Em seguida, admoesta
os crentes a permanecerem “firmes no Senhor”. O verbo grego aqui usado é
stekete, e está no imperativo, uma espécie de ordenança dada a um soldado.
Nesse caso o lutador deveria permanecer em sua posição, sem deixar seu lugar
estratégico. Muitos crentes querem abandonar sua posição por qualquer motivo.
Somos instados, pelo mesmo Apóstolo, a sermos firmes e constantes, abundantes
na obra. E mais importante ainda, saber que, no Senhor, não nos homens, nossa
obra não é vã (I Co. 15.58). Adiante Paulo destaca um problema de
relacionamento na igreja de Filipos, que envolvia Evódia e Síntique. Essas
irmãs não deveriam ser descartadas, mas ajudadas a amadurecerem na fé. Ao invés
de buscarem o crescimento da obra, estavam digladiando-se entre si. Essas
mulheres tornaram-se exemplos negativos de partidarismos nas igrejas, que
impedem a maturidade espiritual (I Co. 3.4,5). Muitas igrejas evangélicas estão
adoecidas por causa das disputas por cargos nos departamentos. O corpo de
Cristo não pode ser fragmentado por causa de vaidades pessoais, dos interesses
particulares. Uma igreja que vive em unidade é caracterizada pelo sentimento
comum entre os membros. Isso não quer dizer que todos devem ser iguais, uma das
belezas da igreja está justamente na diferença. Existem pessoas de diferentes
condições socioeconômicas na igreja, todas salvas pelo sangue do mesmo Cordeiro
(Gl. 3.26-28). A diversidade pode existir, mas apenas nos aspectos periféricos,
no principal, unidade deve prevalecer. A produção do fruto do Espírito (Gl.
5.22), em amor (I Co. 13), é o elo que consolida a igreja no Senhor.
2. ADMOESTAÇÃO À ALEGRIA DIVINA
O Apóstolo retoma o tema da alegria, certamente
porque os crentes filipenses estavam entristecidos. Os judaizantes colocavam um
fardo tão pesado sobre os ombros das pessoas que essas não conseguiam ser
alegres (At. 15.28,29). Os gnósticos apregoavam uma liberdade que era pura
libertinagem, tornando as pessoas escravas dos prazeres. Contra esses caprichos
humanos, a resposta de Paulo é a alegria que vem de Deus (Fp. 4.4). A chara,
alegria do Espírito, não é circunstancial. Ela é resultante da salvação em
Cristo Jesus, que lança o ser humano na liberdade para servir em amor. Jesus
atrai para Ele todos os que estão cansados e sobrecarregados, e coloca sobre
eles o seu jugo, que é suave, e o seu fardo, que é leve (Mt. 11.30). Muitos
atualmente querem felicidade, mas não buscam a verdadeira alegria. Os livros de
autoajuda prometem uma felicidade de bens perecíveis. Mas a alegria que vem de
Deus não resulta daquele que anda em derredor (I Pe. 5.8), mas nAquele que está
dentro de nós (I Jo. 4.4). Em prosseguimento, Paulo orienta os filipenses
quanto à moderação, epieikeia em grego. Esse é um termo bastante amplo, que diz
respeito não apenas ao que é legal, mas ao que é certo. As leis são produções
humanas, nem sempre estão corretas. Os cristãos vivem a partir de uma Lei
maior, a de Cristo, exercitada em graça e amor (Rm. 13.10). O mundo se pauta
pelas leis humanas, que merecem respeito, e na maioria dos casos, obediência.
Mas existe uma lei que está acima de todas as leis, é a Lei de Deus, revelada
em Sua palavra. É a partir dessa que o crente deve viver, e mais importante,
que essa sirva de testemunho da nossa fé em Cristo. Todos os homens devem
reconhecer, pelas nossas práticas, que somos filhos de Deus (Tg. 2.14; I Jo.
3.7,8). Uma das motivações para o exercício da moderação é que o Senhor está
perto. A dimensão escatológica é condição ética para o viver cristão, pois virá
o dia em que todos prestaremos contas pelo que fizemos no corpo (Rm. 14.10).
Muitos acham que o Senhor está demorando para voltar, por isso estão vivendo
dissolutamente, mas Ele é longânimo (II Pe. 3.8,9). Ao Seu tempo Ele voltará
para levar a Sua igreja, conforme prometeu (Jo. 14.1; I Pe. 2.9). Essa é a
bendita esperança da igreja cristã (Rm. 8.23; I Co. 15.51,52; I Ts. 4.16,17;
Tt. 2.13), não a ganância terrena, como muitos tem apregoado atualmente Todos
aqueles que têm essa esperança não vivem como bem entendem, mas de acordo com a
vontade de Deus (I Jo. 3.3), perfeita, boa e agradável (Rm. 12.1,2).
3. A PAZ DE DEUS PARA VENCER A
ANSIEDADE
A ansiedade é um problema crônico na sociedade
contemporânea, por falta de alegria espiritual, não poucos estão angustiados.
Essa ansiedade, merimnau em grego, pode resultar dos problemas de olharmos para
as circunstâncias. A preocupação com as coisas materiais podem nos distanciar
do foco, que é o céu. O mundo moderno, ao esquecer-se de Deus, perdeu a
tranquilidade. O reino de Mammon é cruel, e desgraçado, não permite que as
pessoas tenham paz. Por causa disso as muitas pessoas são destroçadas, sendo
puxadas, como expressa a etimologia da palavra ansiedade em grego, em direções
opostas. Jesus advertiu a respeito dos perigos de viver em ansiedade constante
(Mt. 5.19-34). O problema da ansiedade é que ela faz com que deixemos de
confiar em Deus, e percamos a paz. O antídoto contra a ansiedade é a oração,
este é o melhor remédio. Ao invés de andarmos ansiosos, devemos levar nossas preocupações
para Deus (Fp. 4.6). Existem três palavras gregas que fazem referência à oração
nessa passagem: oração (proseuche, usado para as petições gerais ao Senhor),
súplica (deesis, a petição em relação às necessidades) e ação de graça
(euxaristia, disposição para agradecer pelos feitos do Senhor). Infelizmente
tudo hoje em dia contribui para que deixemos de orar, até mesmo o excesso de
atividades eclesiásticas. Essa geração esqueceu-se de orar porque se tornou
dependente do pragmatismo. As pessoas querem resultados rápidos, negam-se a
esperar com paciência pelo Senhor, tal como fez o salmista (Sl. 40.1). Como
resultado, não conseguem desfrutar da paz de Deus, que excede “todo o
entendimento” (Fp. 4.7). Somente a paz de Deus é capaz de guardar a nossa mente,
nossos corações e sentimentos em Cristo. As adversidades, principalmente as
perseguições, não conseguem abater o coração cuja mente está em Cristo. É essa
paz, eirene em grego, que nos guarda dos ataques circunstanciais. Nossas mentes
precisam estar protegidas dos pensamentos mundanos. Para isso devemos levar
cativo todo entendimento à obediência de Cristo (II Co. 10.5).
CONCLUSÃO
Os ensinamentos deste mundo, repassados pelos
falsos mestres, levam as pessoas ao desespero. Muitos não conseguem desfrutar da
alegria que vem de Jesus, produzida pelo Espírito Santo (Jo. 15.11). Os crentes
em Jesus permanecem firmes na fé, naquilo que nos foi revelado pela Palavra,
por isso estão sempre alegres, independentemente das circunstâncias. Esses, por
sua vez, têm suas mentes guardadas por Cristo, que lhes dá a paz que o mundo
desconhece (Jo. 14.27), e que excede a todo entendimento.
ELABORADO POR: Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
HENDRIKSEN, W. Efésios e Filipenses.
São Paulo: Cultura Cristã, 2005.
WIERSBE, W. W. Philippians:
be joyfull. Colorado: David Cook, 2008.
FONTE: www.subsidioebd.blogspot.com
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
A ATUALIDADE DOS CONSELHOS PAULINOS
Leitura Bíblica:
Fp. 3.1-10
INTRODUÇÃO
A seção da Epístola aos Filipenses 3.1-10 está
repleta de conselhos. Paulo apresenta algumas considerações práticas aos
crentes filipenses. Essas orientações são bastante pertinentes e atuais para a
igreja da atualidade. Depois de admoestar os irmãos a que sejam alegres no
Senhor (Fp. 3.1), faz algumas advertências em relação aos falsos mestres, e por
último, caracteriza o genuíno evangelho de Jesus Cristo.
1. EM RELAÇÃO AOS FALSOS MESTRES
A igreja de Jesus Cristo sempre foi atacada por
falsos ensinamentos, entre os filipenses os falsos mestres tentaram disseminar
suas heresias entre os cristãos. Por isso Paulo os admoesta, por três vezes, a
que esses tivessem cuidado. O verbo grego, no imperativo, é blepete, isto é,
“acautelai-vos”, que tem o significado de manter os olhos abertos para que os
falsos lobos não adentrem ao rebanho (AT. 20.29,30). Esses falsos mestres
precisavam ser identificados, por isso Paulo os descreve como cães, falsos
obreiros e falsa circuncisão. Trata-se de um grupo já conhecido entre os
crentes da Galácia, que queriam incluir um falso evangelho no interior do
verdadeiro evangelho (Gl. 1.1-9). A característica marcante desse outro
evangelho era a defesa da circuncisão, isto é, da observância aos rituais
judaicos como meio de justificação (At. 15.1). Esses judaizantes atacavam
frontalmente a doutrina da salvação, contrariando a graça de Deus em Jesus
Cristo. A preocupação do Apóstolo é denunciar esse ensinamento distanciado da
verdade (II Co. 11.13). Esses maus obreiros seguiam Paulo em suas viagens
missionárias, despregando aquilo que o Apóstolo havia pregado (I Co. 11.13). O
perigo desse outro evangelho é a desconsideração da doutrina da salvação pela
graça, por meio da fé, proveniente de Deus, não das obras humanas (Ef. 2.8,9).
O ser humano, em sua religiosidade, sempre quis obter a salvação pelos seus
méritos pessoais. A igreja evangélica não está imune a esse tipo de
ensinamento, há quem pense que é salvo simplesmente pelas exterioridades
formalistas que observam. As pessoas que entram por esse caminho transformam o
que é principal em secundário, acabam supervalorizando os detalhes ao invés do
que é mais valioso. Jesus repreendeu veementemente os fariseus do seu tempo por
filtrarem um mosquito e engolirem um elefante, chamando-os de sepulcros caiados
(Mt. 23.27-28.). A circuncisão pregada por esses religiosos não passava de
mutilação, pois não tinha qualquer valor espiritual, diferentemente da
circuncisão de Abraão (Gn. 17.9,10; Rm. 4.11-13).
2. EM RELAÇÃO À IGREJA DO SENHOR
A igreja do Senhor não pode ser confundida com uma
mera religiosidade, ela apresenta características distintas do movimento dos
judaizantes. A verdadeira igreja de Cristo passou por uma circuncisão
espiritual, efetuada no coração, não por homens, mas pelo Espírito Santo (Fp.
3.3). A adoração a Deus não resultante de uma imposição humana, não é por
força, muito menos por violência, mas uma disposição espiritual, não está
fundamentada na carne. Fomos chamados para adorar, na verdade, Deus busca
adoradores, mas que o façam em espírito e em verdade (Jo. 4.24). A adoração não
pode ser realizada de qualquer modo, a religião humana, na busca por Deus,
resulta na idolatria (Rm. 1.25-27). A adoração, revelada por Deus, está
alicerçada na Verdade, que é Cristo, a Palavra (Jo. 1.1,18) , e no Espírito,
que nos liga a Deus, reconhecendo-O como Pai (Rm. 8.15). Por isso, a fé do
crente está depositada em Cristo, em Seu sacrifício na cruz do calvário, não na
religião humana, que não passa de carnalidade. Ele é o nosso Alvo, Aquele no
Qual nos gloriamos (I Co. 1.31; II Co. 10.17). Os falsos mestres, e os
religiosos em geral, confiam naquilo que fazem, em seus méritos, na capacidade
que acreditam ter em satisfazer a Deus. A igreja, diferentemente da
religiosidade humana, sabe que a salvação veio de Deus, e que em nenhum outro
nome há salvação, senão no de Cristo Jesus (Jo. 14.6; At. 4.12). Paulo
esclarece que se a religião valesse alguma coisa ele mesmo teria motivos para
se orgulhar. Com judeu ele tinha alguns privilégios, mas os abandonou por causa
de Jesus Cristo. Ele era circuncidado ao oitavo dia, portanto nasceu judeu,
sendo criado na tradição judaica (Fp. 3.4). Paulo fazia parte do povo eleito, o
povo considerado privilegiado, mas não sustentava a sua fé nesse predicado.
Mesmo sendo da tribo de Benjamim, sendo essa uma das mais importantes de Judá,
não via nisso qualquer glória (Fp. 3.5). Como se isso não fosse o bastante, era
hebreu de hebreus, ou seja, por nascimento, e que falava hebraico (At. 21.40).
Em sua religiosidade fazia parte dos fariseus, a mais zelosa tradição judaica
(Gl. 1.14), por isso tinha na mais alta consideração a Lei do Senhor (At. 23.6;
26.5). Por causa disso, tornou-se perseguidor da igreja, sua religião, como
geralmente costuma acontecer, fez com que ele perseguisse os cristãos (At.
9.1,2; 22.1-5; 26.9-15; I Co. 15.9; Gl. 1.13). Aos olhos humanos Paulo era um
homem de considerável reputação, considerado irrepreensível no tocante à guarda
dos princípios legais. Mas faltava-lhe um em encontro com Cristo que o transformou
de perseguidor em perseguido, que o fez considerar as pessoas não a partir de
formalidades exteriores.
3. EM RELAÇÃO AO EVANGELHO DE CRISTO
O evangelho de Jesus Cristo não é uma mera
circuncisão física, não se trata de uma formalidade. Como israelita influente é
bem provável que Paulo tivesse privilégios no contexto religioso no qual estava
inserido. Mas a tudo perdeu por amor a Cristo, no mínimo deixou de gloriar-se
daquilo que fazia, passou a confiar no que Jesus fez. O evangelho é mais importante
do que exterioridade religiosas. Por isso, ninguém deve achar que é salvo por
que faz ou deixa de fazer algo. Não podemos incorrer no equívoco de pensar que
nossa salvação depende de vestimenta, postura física, ou coisa parecida. Isso
na verdade pode revelar ausência de uma espiritualidade genuína, carnalidade da
qual os religiosos se gloriam (Cl. 2.21). O evangelho é mais que um conjunto de
doutrinas, trata-se de um encontro real com uma pessoa, o próprio Jesus Cristo
(Fp. 3.8). Muitas igrejas atuais estão sofrendo porque as pessoas estão
alicerçadas nas atividades religiosas. Poucas pessoas têm um compromisso real
com o Senhor, entregaram de fato suas vidas a Cristo. Esse encontro com o Jesus
é algo marcante na vida de uma pessoa, e a modifica existencialmente. Isso
porque seu fundamento é o amor, não as obrigações que são impostas por um grupo
de religiosos. Isso fez com que Paulo considerasse tudo como refugo, skubala em
grego, que pode ser traduzido como “excremento, esterco”. Aquilo que os judaizantes
achavam que valia muito, Paulo considerava coisa de menor importância. Não
podemos esquecer que as nossas obras, diante de Deus, não passam de trapos de
imundície (Is. 64.6). A justificação, ansiosamente buscada pela religiosidade
humana, somente pode ser obtida através de Cristo (Fp. 3.9). A obra de Cristo,
não as nossas obras, nos conduzem ao céu, o sacrifício que Ele realizou na cruz
(Jo. 7.1-4; 19.30; Hb. 10.11-14).
CONCLUSÃO
O evangelho de Cristo não pode ser confundido com a
religiosidade humana. Isso porque ser cristão é um conhecimento, não apenas
intelectual, mas um kinoskein em grego, ou yadá em hebraico. Isto é, uma
entrega incondicional pela fé ao senhorio de Jesus, uma disposição para viver e
morrer por Ele. Nesse contexto, sofrer por Cristo torna-se um privilégio,
também uma identificação com Sua vida, morte e ressurreição, que nos antecipa a
glória futura que em nós haverá de ser revelada (Rm. 8.18; Fp. 3.10).
ELABORADO POR: Profº. Ev. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
LOPES, H. D. Filipenses. São Paulo:
Hagnos, 2007.
WIERSBE, W. W. Philippians:
be joyfull. Colorado: David Cook, 2008.
FONTE: http://subsidioebd.blogspot.com.br/
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO
Leitura
Bíblica: Fp. 2.12-18
INTRODUÇÃO
A humildade é apenas uma entre outras virtudes a
serem desenvolvidas pelos salvos em Cristo. Na lição de hoje apontaremos
algumas outras apresentadas por Paulo aos Filipenses, dentre elas destacamos:
ausência de murmuração e contenda, conduta irrepreensível, sinceridade e
fidelidade. Ao final, ressaltaremos, com o Apóstolo, a necessidade do
sacrifício na obra de Deus, trabalhando com alegria, mantendo o foco na
eternidade.
1. A OPERAÇÃO DA SALVAÇÃO
A salvação é uma dádiva de Deus, ninguém é salvo
por méritos pessoais (Ef. 2.8,9; I Pe. 1.18,19). Mas muitas pessoas esquecem
que precisam desenvolver a salvação (Ef. 2.10). Não somos salvos por causa das
boas obras, mas para as boas obras, para que andemos nelas. Essa é a
admoestação de Paulo, para que os crentes trabalhem a salvação deles, com
temor e tremor. Paulo não estava mais entre os filipenses, esse seria o momento
de eles exercitarem a fé, demonstrarem maturidade. Muitos crentes nas igrejas
são eternamente dependentes dos seus líderes, como um filho que precisa ser
alimentado. Mas isso é uma deficiência, os verdadeiros cristãos amadurecem, são
capazes de seguir adiante, mesmo nas situações adversas. A salvação começa com
Deus, mas o homem deve cooperar com Ele, desenvolvendo-a (I Co. 3.6-9). O
desenvolvimento da salvação se dá por meio da santificação, que é um trabalho
conjunto do ser humano com o Espírito Santo (Rm. 8.9-17). O cristão genuíno
investe no seu amadurecimento espiritual, luta contra sua natureza pecaminosa
(Rm. 14.18; I Co. 9.24-27; I Tm. 6.12). O modelo ideal a ser perseguido é o de
Jesus Cristo, Deus deseja que sejamos semelhantes a Ele no caráter (Rm. 8.29).
A expressão “com temor e tremor” revela a grandeza de Deus, principalmente Sua
santidade, por isso os crentes devem temer ofendê-Lo. Mas isso nada tem a ver
com um temor servir, um pavor que nos distancia dEle. Paulo diz aos crentes de
Roma que eles não receberam um espírito de escravidão (Rm. 8.15). Tememos, e
trememos diante de Deus, por causa do Seu amor gracioso. E confirmarmos que o
Senhor está trabalhando em nossas vidas através do Seu Espírito (Rm. 8.3,4; II
Co. 3.4-6). O Espírito Santo opera na Sua igreja para que essa realize as obras
que Ele deseja (I Co. 12.4-7).
2. AS VIRTUDES DA SALVAÇÃO
A salvação é demonstrada através de virtudes, a
respeito das quais Paulo também orientou os gálatas, denominando-as de fruto do
Espírito (Gl. 5.21,22). O fruto do Espírito conduz o cristão à obediência, a
fim de fazer as coisas que Deus determinou, sempre sem murmurações ou
contendas. Há um problema quando as coisas são feitas com motivações erradas
nas igrejas locais. Muitas congregações estão sofrendo porque as pessoas fazem,
mas por vanglória. A disputa por cargos nas igrejas está adoecendo muitos
crentes, e as congregações, por causa das divisões e partidarismos (Fp. 2.3,4).
A palavra murmuração, em grego, é goggysmos, diz respeito à reclamação,
resultado de rebelião e infidelidade. Esse sentimento esteve presente entre os
filhos de Israel ao longo da peregrinação pelo deserto (I Co. 10.10; Nm.
11.1-6). Contendas, dialogismoi em grego, descreve as disputas
desnecessárias, que conduzem às dúvidas. Esse tipo de atitude é reprovada por
Paulo porque nada tem a ver com o sentimento que havia em Cristo (Fp. 2.5). Ao
invés de viverem em murmurações e contendas, os crentes devem se voltar para o
que é sublime, buscarem ter uma vida irrepreensível, serem inculpáveis em meio
a uma geração perversa (Fp. 2.14,15). A palavra irrepreensível no grego é
amemptos e expressa pureza, comportamento digno de um seguidor de Cristo. Isso
diz respeito à reputação, mas não é suficiente, é preciso também desenvolver o
caráter, a sinceridade, akeraios em grego. Essa palavra era usada para
diferenciar o vinho ou leite puros, sem mistura de água. Sendo também inculpáveis,
amomos em grego, os crentes se apresentam diante de Deus imaculados, como um
sacrifício vivo, experimentando a boa, perfeita e agradável vontade de Deus
(Rm. 12.1,2). Diante dessa geração corrompida pelo pecado, o cristão deve
resplandecer, sendo sal da terra e luz do mundo (Mt. 5.14-16). Por fim, mas não
por último, a salvação deve ser demonstrada através de uma fidelidade
inegociável a palavra da vida. Cristo é a própria Palavra da Vida, o Verbo que
se fez carne (Jo. 1.1; I Jo. 1.1). Os crentes são súditos de Cristo, Aquele que
recebeu um nome que está acima de todos os nomes, o Rei dos reis. Por isso, a
igreja deve se manter fiel a Sua palavra, e trabalhar a partir dos Seus
ensinamentos. Após o arrebatamento Jesus estabelecerá seu julgamento das obras,
a fim de avaliar as motivações dos trabalhos, se não tivermos objetivos
corretos, teremos trabalhado em vão (Fp. 2.16).
3. ALEGRIA DA SALVAÇÃO
Paulo é um exemplo de alguém que trabalhava na obra
de Deus com uma motivação correta. Ele está disposto, se necessário fosse, a
ser “oferecido por libação sobre sacrifício e serviço” da fé dos filipenses.
Nem todos nesses dias atuais, marcadores pela mercantilização do evangelho, são
afeitos a esse tipo de sacrifício (II Tm. 4.6). O Apóstolo usa uma metáfora do serviço,
do culto, comparando-se a um holocausto, uma oferta a Deus, na vida ou na morte
(Nm. 15.5,7,10). A palavra grega é leitourgia, e refere-se a um culto
sacrificial, no qual se apresenta ofertas. Diferentemente de muitos obreiros
dos dias modernos, Paulo mantinha o foco do seu trabalho na eternidade. Ele
sabia que um dia prestaria contas a Cristo pelo trabalho realizado. O Apóstolo
dos gentios não apenas está disposto a entregar Sua própria vida por amor a
Cristo, em serviço dos irmãos, mas também a fazê-lo com alegria. O obreiro do
Senhor não pode ter medo da morte, ainda que não deva buscá-la. Ele sabe que
está trabalhando para um Deus que tem tudo em Suas mãos. Nada que venha a
acontecer fará com que o servo de Deus venha a perder a esperança. Seja na
vida, ou na morte (Fp. 2.17), o trabalhador na seara do Mestre sabe que está
plantando para a eternidade. Muitos hoje em dia somente se interessam pelo
prêmio temporal, alguns deles já estão recebendo seu galardão, nada mais
receberão na glória. Essa é a alegria do cristão, não está fundamentada nas
circunstâncias. Essa é a alegria, chara em grego, do Espírito, que independe
das condições, sejam elas favoráveis ou desfavoráveis. O problema de muitos
crentes modernos é que querem felicidade, não alegria, mas não fomos chamados
para ser felizes, mas para ser alegres. A primeira depende das circunstâncias,
a última está alicerçada em Deus, a fonte de toda alegria.
CONCLUSÃO
Deus iniciou uma boa obra em nossas vidas, e
certamente levará adiante, mas não sem antes nos conduzir à maturidade. Toda
construção exige sacrifícios, e não poucas vezes, mudanças drásticas. A fim de
produzir Seu fruto em nós, e aprimorar as Suas virtudes, o Espírito Santo
alterará os percurso dos nossos planos. Mas não temos motivo para nos
desesperar, antes estejamos alegres, sobretudo confiantes, pois Deus sabe o que
está fazendo.
ELABORADO POR: José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
MOTYER, J. A. The
message of Phillipians. Leicester: Inter-versity Press, 1984.
WIERSBE, W. W. Philippians:
be joyfull. Colorado: David Cook, 2008.
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